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domingo, 20 de outubro de 2013

A essência de ser calour@




Passar no vestibular é um momento único. Experimentar o êxtase de encontrar o seu nome na lista de aprovados após anos de preparo é como alcançar o topo do Monte Everest - a vista do alto é linda, mas nada se compara com a escalada. Overdose de felicidade, um turbilhão de sensações ocupam o seu corpo ao mesmo tempo. Pulos, gritos, abraços, muitos abraços, beijos, palavras carinhosas, discursos entusiasmados e cheios de orgulho. Depois desse momento especial, o dia tão esperado da matrícula chega e é hora de oficialmente pertencer a comunidade universitária. É a sua vez de ser calouro.

É altamente prazerosa a sensação de se estar fazendo ou experimentando algo pela primeira vez. Melhor ainda quando se trata de um sonho se tornando realidade. Claro, isso tudo quando se está no lugar desejado e com pessoas legais. Com gente que sabe respeitar você e os seus limites. Ser calouro pode significar estar na base da pirâmide do poder para alguns, mas quando o semestre passa a gente percebe que se trata muito mais do que uma posição. A calourice é um estado de espírito e feliz o veterano que ainda o preserva.

Ser calouro é ter a calourice estampada na cara. Isso mesmo, feito um cartaz de boas-vindas em uma festa onde todo mundo conhece todo mundo, menos você. É percorrer o campus todo no primeiro dia de aula perguntando a cada pessoa que encontra por metro quadrado onde fica a sua sala e por mais precisas orientações que te deem, ainda assim conseguir se perder. É não achar exagero se tivessem te entregado um mapa e um Guia de Calouro no dia da matrícula - mas olhe, quando se tem veteranos amigos coisa parecida costuma acontecer. É ter vontade de sorrir para toda pessoa que encontra enquanto anda sozinho pelo corredor sem fazer a mínima ideia de quem seja. Mas é também ficar inseguro e nem sempre se sentir à vontade ou livre o bastante para ser você mesmo.

Ser calouro é estar ansioso para conhecer cada colega, cada professor, cada disciplina, cada sala, cada cantinho do campus e cada nova informação a ser dada no curso. É desejar estar junto com a galera da turma e acordar animado por ser segunda-feira. É, mais uma vez, se preocupar se vão gostar de você e mesmo batendo a saudade do colégio, não sentir a mínima vontade de abrir mão dessa nova e desafiante fase em prol da antiga. Ser calouro é passar por uns perrengues, aguentar a fila quilométrica do restaurante universitário para comer por dois reais e cinquenta e esperar pacientemente os colegas xerocarem mil páginas enquanto tudo o que você quer é uma cópia da apostila para a próxima semana - semana. É estudar cantarolando porque é bom demais aprender sobre o que você gosta e se identifica. É ser zoado pelos veteranos, bombardeá-los de perguntas e vê-los como padrinhos mágicos. Ser calouro é estar disposto a participar de todos os eventos que te convidam e ser convidado para todos os eventos porque calouro é público certo. É querer aprender mais e mais e se engajar nas lutas e discussões. É ser abordada pelos corredores assim, com um "e aí, caloura?" e, ainda que negue, no fundo achar isso tão legal.

Quem viveu seu momento de calourice sabe como é memorável esse primeiro contato com o mundo universitário. Como eu e minha turma ouvimos em nossa primeira semana na faculdade, conselho de veteranos, uma lição deve ser levada até o final do curso: nunca perca a essência de ser caloura. Porque ser calouro é ser incansável, estar animado, disposto, curioso. É saber que, à sua calourice, você é especial.

domingo, 6 de outubro de 2013

Era óbvio que havia




Era óbvio. A canção, tão curta e simples, ditava com voz banhada de melodia um segredo. Enquanto os segundos corriam, desvendei-o. Ainda não sei se era ela quem falava por mim ou era eu quem dava sentido a ela. Com os fones no ouvido, formando a imagem de um rosto adorável, tudo aquilo se fundia. Não é um ou outro, não há dois elementos. Vira uma coisa só, uma relação mútua. Uma conversa entre amigas, a música e eu. A canção falando por mim e aquele sentimento temido que, até então, eu desconhecia e nem desconfiava o significado.

Encontro de olhares castanhos e azuis, vibrando com o reconhecimento. Nem em dez anos eu me esqueceria. Fisionomias um pouco mais maduras, ele mais alto e forte, com o mesmíssimo nariz grande e jeito de andar. Poderia até adivinhar que aquele bom moço continuava tão bom quanto eu me lembrava. O mesmo bobo, com as mesmas piadas e coração de criança. Voz agradável, fazendo graça como sempre. Debaixo daquele céu azul, a metros de distância, quis saber o que se passava em sua mente. Eu não tive tempo para formar um pensamento coerente naquele encontro de segundos, mas meu corpo respondia aos estímulos visuais e imaginários. Lá se vai aquele metro e setenta de coisas boas.

Quis saber por onde você andou e o que fazia. É o clichê de todos os encontros saber o que havia acontecido de bom na vida do outro no intervalo dos esbarrões. Se aquela era a melhor coisa que havia lhe acontecido até o momento. Quis enxergar de perto a tatuagem na sua perna direita e descobrir se havia outra escondida em algum lugar. Quis saber se pra você eu havia mudado. Sabia que sim, mas desejava experimentar o gosto de ouvir por sua própria voz. Em detalhes, enquanto me observa com calma, saboreando cada novo traço do meu rosto. Quis saber se você ainda conseguiria me irritar e em quantos minutos alcançaria esse feito. Em quantos segundos conseguiria me fazer voltar a rir. Esse é o tipo de altos e baixos que eu adoraria experimentar novamente. É uma ideia que aprovo saltitante.

O perdi de vista, entre lojas e espelhos. Guardei-o no pensamento. Eu me distraio tão fácil e no final me perco no labirinto sem desfazer os laços. Penso como todo mundo viaera óbvio que havia, e eu nem sabia nada, eu nem desconfiava, tal qual Marisa Monte em meu fone de ouvido. E assim, entre ventos e alguns tempos a mais, espero outro acaso nem tão acaso assim nessa capital de lugares em comum que frequentamos e olhos que gostam de se reecontrar.



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Voltei, em um novo capítulo...




Depois de meses distante do blog, aqui estou novamente. Voltei. Em minha última postagem escrevi que estava entrando em uma nova rotina e voltaria depois para contar mais detalhes depois. Essa nova rotina exigiu um maior tempo e dedicação minhas. O blog acabou ficando em segundo plano porque não tive oportunidade de dispensar a atenção desejada a ele. Me fazia falta estar aqui. Pensei, pensei e então planejei voltar nas minhas férias.

Nesse tempo distante, senti falta daqui. De cuidar do blog, escrever textos para ele, fazer planos e planejamentos. De experimentar a energia boa que vem acompanhada de cada nova visualização e poder ler alguns comentários. De nele poder expressar uma das coisas que mais gosto de fazer e que para mim faz um bem danado, me faz feliz. Mas não me arrependo. Esses meses distante foram simplesmente maravilhosos. A vida universitária se iniciou para mim em um curso, uma área do conhecimento e uma futura profissão em que eu posso ser tudo o que eu sempre quis, caricatura dos meus sonhos - a psicologia <3

O FV precisa ser um espaço em que eu não esteja presa por obrigação, mas que eu sempre retorne por livre e espontânea vontade e disponibilidade. Isso não significa falta de esforço ou dedicação, mas, como disse acima, prioridades. Volto porque gosto. Dias sim, dias não; nos fins de semana ou só uma vez na semana. Já me questionei, nesse meio tempo mesmo, se era válido continuar com o blog. Se eu não deveria usá-lo de outra forma, canalizar minha energia em outra atividade. Mas quando a gente sente que vale à pena, acaba se deixando guiar pelo impulso de continuar. É por isso que voltei.

Pois bem. Com tantas semanas distante, tenho muita coisa para contar, escrever e planos para ir colocando em prática aos poucos por aqui. Serão somados ao blog novos conteúdos e categorias.

Se aproximem, não sejam tímidos. Vou vibrar com cada nova visualização!

Agora eu quero saber: Quem vai voltar a acompanhar o blog e está ansiosa(o) para as próximas postagens?

sábado, 4 de maio de 2013

Os cachos dos seus cabelos


Ei, querida, por que você não solta esses cabelos? Desfaz esse coque, desarma esse rabo-de-cavalo e se mostra um pouco mais. Seus olhos ficam tão bonitos em companhia das dezenas de cachos castanhos descendo em torno do seu rosto. Você parece insegura, mas não há versão melhor do que a original, então, não tente mudar. Seus cabelos delineiam a beleza que o coração trouxe para fora e soube distribuir tão bem por cada parte sua.

Se disseram algo ruim para você algum dia, trate de se esquecer. Não há melhor forma que você possa ter do que aquela que você é. Vamos, deixa esses cabelos livres, é o que você mais quer. Ser livre. Ser você. Sair por aí confiante e saber que os olhares não são sempre direcionados a moça ao lado, mas merecidamente seus. Ainda que alguns apareçam para tentar te pôr para baixo, arruma, junto com os cabelos, um jeito de confiar mais em si mesma. Não precisa seguir padrões, eles são tão chatos, evite-os a qualquer custo. Monte o seu padrão: o padrão se amar.

Ei, garota, levante-se e deixa o mundo ver esses cabelos cobrindo as suas costas, quase alcançando a cintura. Quem te vê não sabe direito se trata-se de uma menina ou uma mulher e isso é tão puro. Sabe, aquele rapaz que você encontrou um dia desses pelo pátio da faculdade há tempos vem reunindo coragem para te convidar pra sair. É, aquele cara alto, charmoso e gentil do terceiro semestre de Engenharia Civil há tempos vem pensando em você. Ele deseja poder acariciar seus cabelos todos os dias, quando você for apenas dele. De vez em quando ele repreende os pensamentos de que possa ser seu tipo de cara, mas ele não sabe que faz muito tempo, você vem imaginando como o encaixe de suas mãos seria perfeito. Perfeito para durar pra sempre.

Aí dentro você sabe que estou certa. É que o mundo parece um lugar mais agradável e colorido quando você passa com o seu sorriso de costume no rosto e os cabelos cacheados soltos. Eu sei que quando você olha no espelho não deseja trocar de lugar com ninguém. Eu sei que quando se olha no espelho acredita que do jeito que você é, é perfeita.


Homenagem às garotas de cabelos cacheados, assim como eu, e crespos também porque precisamos ser lembradas do quanto somos naturalmente lindas 


Primeira princesa Disney ruiva e cacheada <3

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Dessa vez é pra valer



Dessa vez é pra valer. Chega, vou embora. Pode ficar com a cama só pra você e o travesseiro também, sei que não vai demorar muito para outra cabeça começar a repousar sobre ele. Mas deixa a porta encostada, ainda posso voltar e bater para buscar algumas coisas que tiver esquecido ou deixado com você, porque sabia que não podia haver lugar melhor. Vou levar a cópia dessa chave comigo. É melhor, não quero incomodar.

É sério. Acredite em mim. Já arrumei minhas roupas, meus sapatos e objetos. Mas foi preciso mais do que aquelas duas malas que eu trouxe para cá. Nós conquistamos muitas coisas juntos, coisas que só o coração pode carregar. É ele quem sente o peso na hora da despedida e para descarregar boa parte disso, só quando eu permitir que outra pessoa entre na minha vida. Só quando outra pessoa conseguir fazer o que você fez. Pra descarregar boa parte disso, só passado muito tempo, a milhas distantes de você.

Virar resquícios na memória. Esse sempre foi o nosso maior medo. É uma das razões pela qual ainda estou aqui, olhando você dormir. Torcendo para que acorde e grite comigo e briguemos e façamos as pazes de novo, mas não me deixe ir embora. Ainda estou de pé, andando pelo quarto, sem receio nenhum de te acordar, indecisa e sem coragem de sair por aquela porta e não voltar nunca mais. Esperando você acordar e me chamar para deitar. Esperando você sentir falta do meu corpo te fazendo companhia.

Chega, vou embora e não volto. É o que estou dizendo, mas você não pode ouvir e esse silêncio me deixa louca. Me faz querer gritar. Pensei que seria mais fácil assim, pensei que tinha opção, mas o que eu tenho, certo ou errado, é metade seu e eu não sei quanto tempo vai demorar para eu me bastar de novo. Tenho alguns lugares para ir, mas falta coragem e vontade para estar em qualquer lugar que não seja entre essas quatro paredes. Que não seja ao seu lado, vivendo a vida que escolhemos compartilhar para sempre.

Paro um segundo e observo você dormindo. Todos os anos passando em forma de lembranças na minha mente. É pelo nosso amor que decido esquecer o que aconteceu e ficar. Tão logo você abre os olhos, me chama para voltar pra cama e continuar a dividir não só ela, mas a vida com você. Porque a gente sabe que dessa vez é pra valer. Esse amor é pra valer e é por isso que eu fico. É por isso que eu sempre fico.


quarta-feira, 17 de abril de 2013

O que falta em você




Nem preciso dizer o quanto lamento, não é? Pelo menos eu achava que não precisava. Mas desculpa, não sei direito como te amparar. Queria ter palavras para dar a você e ajudá-la a ficar mais forte, mas sinto como se já tivesse gastado todas elas nas vezes anteriores em que isso também aconteceu. É a segunda ou terceira vez que vocês chegaram ao fim. Eu vi bastante coisa, aquelas que nenhum dos dois me mostrava. Eu li bastante coisa, aquelas que nenhum dos dois dizia e o que estava por trás do que me diziam também.

A gente nunca imagina o fim, não é? Pior que sim, mas só depois de um certo tempo. Você sabe disso porque esse tempo já chegou e já se foi há muito tempo pra você. Mesmo quando tudo parecia estar bem, a insegurança invadia. Só no começo, quando a  felicidade transborda, que nada mais cabe dentro do coração. Nenhuma dúvida, nenhuma hesitação cabe. Depois se imagina de tudo. Quanto mais o tempo passa, mais pensamentos passam pela mente. O fim não é o problema. Todo o desemparo que vem na forma como certas coisas terminam é o real problema. O que deixa o coração partido mesmo é aquela história mal terminada e mal resolvida - e um fim mal desculpado.

Não sei direito o que dizer. Não quero te ajudar a levantar aconselhando-a a tentar de novo, a dar mais uma chance, para depois cair e se machucar ainda mais. Desculpe, mas você não é forte o suficiente para isso. Para cair e erguer o peito em seguida, decidida. Isso poderia não ser uma ferida, podia já ter calejado, mas você insiste em ficar apenas se lamentando e olhando o mundo com um cinza melancólico. Você insiste em se apegar ao passado por mais que lhe doa por achar que nada de tão incrível te acontecerá novamente. Que ninguém vai te amar como ele te amou. Mas vai, se você deixar e confiar em alguém para que ele possa fazer isso.

O que eu queria é que você parasse de olhar o mundo da maneira que está olhando agora. Estar sem ele é só uma desculpa. Não estou sendo cruel, quero o seu bem. Quero você seja realmente feliz, se sinta feliz e quando não estiver, que lute por isso. Mas  falta alguma coisa quando olho em seus olhos. Falta você mesma em você. Falta vida e não é nessa forma que eu te conheço. Não, eu não te reconheço mais.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Acampando na sala de estar





Você é jovem e cheio de sonhos. Não se contenta apenas em desejar conquistar o seu planeta. Quer também pisar na Lua, dar um "oi" aos vizinhos marcianos, roubar os anéis de Saturno e esticar o pescoço para dar uma espiadinha nos planetas que vem depois de Plutão. Quer se divertir como se o dia seguinte não existisse, viver sem precisar alimentar preocupações nem responsabilidades. Mas o dia seguinte chegou e, olha só, você já faz mil e um planos, teceu entre eles milhares de metas e quer ter autoridade sobre as próprias escolhas e decisões. Sobre o que será do seu futuro. O amanhã bate à porta bem antes da meia noite e, sem que perceba, já está acampando na sala de estar.

Hora de ir pra cama, mas o sono não chega. Rolando de um lado ao outro, nenhuma posição parece confortável o suficiente para dormir. Os olhos continuam abertos e o teto branco, apreciado demais, se torna o centro das atenções. Insônia. A razão? A forma como o mundo parece estar girando rápido demais e exigindo que decisões sejam tomadas com rapidez. Não é fácil. Você se sente meio confuso e admite que talvez não esteja realmente preparado para tomar uma decisão. Mas então se lembra que ainda há muitos dias pela frente para se encontrar e que, sim, vai achar a resposta certa. No fundo, você sabe o que não quer e isso vai te ajudar a encontrar seu caminho. Vá em frente. Hora de fazer escolhas que garantam um lugar cada vez mais perto do futuro que sempre sonhou.

Aí seus sonhos se dividem entre o que seu coração deseja, o que irá te fazer feliz, o que trará sucesso, realização profissional e aquilo que te trará dinheiro, estabilidade, prestígio, mas que não representa quem você é. Divide-se entre seus sonhos mais íntimos e outros que não são tão seus, mas aqueles que seus pais querem para você e outros que algumas pessoas dizem estar à sua altura. O vestibular daqui a pouco bate à porta - e esse é só o primeiro passo. Não dá pra saber qual é o prazo para a Indecisão ser vencida sem antes olhar para dentro de si mesmo.

Se a vida é um teatro, seja o protagonista de cada uma das peças que entrarão em cartaz para contar a sua história. Não deixe que ninguém roube esse papel que é seu. No dia da estreia, faça questão de levar aqueles que ama e te ajudaram a escrevê-la, para assistir na primeira fileira. Já consegue ver o público ficando de pé ao final do espetáculo, preenchendo a sala do teatro com o som dos aplausos calorosos? São para você. Então, agora, faça isso acontecer.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Íris Dos Olhos




A garotinha dos pequenos e doces olhos castanhos, é assim que todos a conhecem. Ela pode ter mais do que dez anos, um pouco mais que o dobro, na verdade, mas ninguém diz. Ninguém diz porque a forma que ela enxerga o mundo cala qualquer um. Quando se aproximam, veem todas as coisas boas do mundo reunidas na íris dos seus olhos. Cabendo naquele pequeno círculo da forma que ninguém jamais imaginou ser possível.

Mesmo quando indefesa, ela deixa que seus olhos sejam o porto seguro de alguém e, mesmo quando perdida, desenha um mapa para que o outro se encontre. Se estiver estiver sozinha em uma selva, a última coisa com a qual se preocupará é com um animal selvagem. Ouça o que digo, ela rasga o vestido e joga o salto fora, prende os cabelos e corre com os pés descalços. Poucos sabem, mas ela já esteve em tantos lugares diferentes, tantas vezes, que acabou conhecendo-os como a palma de suas mãos.

Ela pode parecer insegura e ingênua mas é só porque escolheu manter-se assim e ter o olhar que poucos têm. Os olhos que mesmo em meio a fumaça conseguem enxergar o arco íris no céu. Se ela estender a mão a você, acompanhe-a onde quer que vá. Quando voltar, a cor da íris dos seus olhos não serão mais os mesmos. E quando perguntam qual a cor do mundo, a resposta é sempre os doces e pequenos olhos castanhos da garotinha de vinte e poucos anos.

É através dela que todos aprendem uma nova forma de enxergar o mundo, com todas as coisas boas que há cabendo apenas na íris dos seus olhos.


terça-feira, 2 de abril de 2013

A menina que não tem pijama




Ela é a menina que não tem pijama
Dorme com roupas normais
Ela não tem uma só cama
Todo lugar põe a cabeça
E cai no sono até tarde demais
Ela tinha um sonho que agora está acordado
Atrapalhando os vizinhos
Fazendo barulho em cima do telhado
Ela é a menina que não tem pijama
Não tem cama
Todo lugar ela sonha


Quero saber a opinião de vocês sobre o poema. Gostaram?

sexta-feira, 29 de março de 2013

A porta está trancada




Foi nesse seu jeito de usar meias palavras enquanto eu esbanjava orações em nossos diálogos. Foi nele que eu percebi não te conhecer além do tão pouco que me mostrava. Foi nesse seu jeito de ficar calado demais enquanto eu contava sobre o meu dia, a escola e os meus amigos, que eu encontrei razões para dizer que não te conheço tão bem quanto acreditava. Faltam palavras para reafirmar os gestos. Faltam gestos para dar conta das palavras. Falta tudo nesse vazio que eu sinto ao olhar o seu rosto, sentir que já te vi antes em algum lugar mas não me lembrar de onde.

O que você está usando no rosto parece ser uma máscara de indiferença. Não sei se ela é em relação a mim ou só algo que fiz e posso consertar porque você não me conta nada. É como se você estivesse no quarto e enquanto estou na sala. Você buscando se isolar do mundo e manter-se longe de mim, deitado na cama e eu, sentada no sofá, esperando uma visita. Depois de aguardar sua chegada por horas, acabo cansando e indo te visitar. Giro a maçaneta mas a porta está trancada. Os cômodos da casa que nos separam são as palavras e gestos escassos do nosso relacionamento. A porta fechada é a falta de confiança que sinto em você. É, a porta fechada é uma escolha minha. Tenho a chave e poderia abri-la a qualquer momento, mas a coragem escorregou pelas minhas mãos enquanto eu levantava do sofá.

Essa podia ser apenas uma daquelas neuras que eu me dizia lúcida demais para criar. Podia e eu gostaria que fosse. Toparia fingir que era, se isso mudasse alguma coisa. Mas é algo muito mais cruel do que uma invenção da minha cabeça. O que está feito, está feito e o que eu vi durante esse tempo parece que não pode ser mudado. Não por mim, mas por você que não compreende o que digo. Seus passos estão adiantados demais, como vou fazer para te acompanhar? Andamos em níveis diferentes. Enquanto procuro te entender, você insiste em se tornar indecifrável.

O que a gente faz agora? Eu volto para a sala e te deixo aí trancado, esperando a hora em que decidir por si próprio sentar ao meu lado, com o rosto que me é familiar e seguro? Ou eu abro a porta de casa e saio para a rua, correndo os meus olhos assustados por milhares de rostos tentando descobrir dentro de qual corpo te prenderam? Não sei. Faz tempo que espero algum despertador tocar e me salvar desse pesadelo. Mas o problema está na porta e em tudo que precisa de uma chave. Tudo precisa de uma chave.


quarta-feira, 20 de março de 2013

Segunda temporada

Por favor, me diz, cadê você? Não, eu não quero saber quais lugares costuma frequentar para colocar o meu melhor vestido e inventar uma esbarrada ocasional por lá ou dançar feito uma louca que não sabe se virar sem você. Não quero pagar um drinque para nós dois, enquanto tento te convencer que voltar para mim seria a sua melhor escolha. Você sabe que eu não bebo. Não quero saber qual é seu número, se ele ainda é o mesmo, se tem um novo ou com quem anda saindo. Não é isso. Não é nada disso. Eu estou bem, juro. Quero apenas te encontrar outra vez, mas aqui em minha casa, no meu quarto, deitada na cama em meio a tantas fotos que resgatei de uma caixa escondida no fundo do meu armário esses dias. A saudade bateu. Eu esqueci de apagar o lembrete do nosso aniversários de namoro do celular.

É janeiro, não há aniversário de namoro. Sequer nos vemos mais. Mas aqui estou eu, querendo trazer todas as lembranças de volta a vida. Reprisando todos os capítulos de uma série que não teve segunda temporada. Vamos lá, talvez você me entenda. Quero assistir a história outra vez pra tentar sentir exatamente tudo aquilo que senti da primeira. Mas não bate aqui na porta da minha casa, se estiver ouvindo de alguma forma esse meu pedido inconsciente por você. Não me liga, você sabe que meu número ainda é o mesmo. Desculpe se me entendeu errado, não te quero aqui em carne e osso. Já disse, estou bem sem você. Pelo menos é o que eu comecei a tentar um ano atrás. Só quero satisfazer esse meu capricho de te sentir aqui, com todas as lembranças que tenho direito. Pela última vez, antes de me desfazer de tudo, porque foi bom, entende? Quero te encontrar nas músicas que eu costumava ouvir, nos filmes que assistimos ou que assisti sozinha lembrando de você, nos livros de romance que eu lia enquanto escrevíamos  a nossa história de amor. Quero namorar todas essas coisas hoje. Coisas que nem me lembrava mais e me arrancaram tantos suspiros e lágrimas e risos há pouco tempo atrás.


Conte-me em qual música eu te encontro. Você e seus cabelos castanhos, seu nariz pequeno, seus lábios finos e rosados, vestindo naqueles moletons grandes e caíam tão bem em mim quanto em você, quando eu os vestia. Me diz, você tem alguma mídia gravada com todas as músicas que compunham a nossa trilha sonora? Me ajuda a lembrar, qual era mesmo a faixa que me fazia chorar só de pensar que um dia podia te perder? E aquela, qual era mesmo aquela que eu ri tantas vezes enquanto escutava, lembrando do seu jeito atrapalhado? A música que dançamos juntos e sozinhos em seu quarto, qual era? Havia música ou era você quem cantava pra mim? Eu não lembro. Passei todas as faixas mp3 que estavam no meu celular, mas não foi nenhuma delas. Será que exclui, apaguei quando você foi embora? Tantos livros em minha estante, tantos títulos que me perco. Em qual te encontro? Em qual costumava encontrar nós dois nas imagens que se formava em minha mente enquanto lia? Na nossa história, qual foi o início, onde foi o nosso primeiro encontro? Em quais páginas foram o clímax, as vezes em que meu coração disparou, senti borboletas voaram?

A campainha toca. Claro, é você. Nossos olhos se encontraram e parece que nossos corações decidiram se encontrar de novo também. A cena se repete. Porque? Não era para você voltar, te avisei. Deu trabalho tentar esquecer todas as coisas que me faziam lembrar de quando éramos dois. Deu trabalho me acostumar com a sua ausência. Devolvi tudo o que era seu e estava comigo, há um ano trás. Então, me diz, que diabos você veio fazer aqui ás nove horas da noite? Não te liguei, não te gritei, não pedi por telepatia para você vir. Ou pedi? Aí você me olha e diz que deixou  um monte de coisas comigo. Eu digo que não. Você insiste. Eu me calo. Deixou a tranquilidade em que repousava nos momentos difíceis, deixou a leveza que costumava compor os dias, deixou o riso fácil, o encaixe das mãos. E quando te perguntam como está o coração, a única coisa que pensa é em me ligar para perguntar, porque, de alguma forma, esqueceu ele comigo. E pede desculpa. Aí eu me lembro de tudo. Click. Como se a sua presença fosse a chave certa para abrir as minhas lembranças. Não houve final, agora eu sei, há ainda muita história para esse nosso livro. Dois moletons. Um é o que você veste, o outro é seu de presente pra mim. Pode entrar. Já vai começar a segunda temporada, só faltava você. Por que não me ligou antes?

sábado, 16 de março de 2013

Não é normal





Não é normal. Eu começo a sentir o cheio do seu perfume do nada. Isso já aconteceu em vários lugares diferentes e meus olhos começam a te procurar agora, entre as quatro paredes do meu quarto. Chego perto da janela aberta e olho para baixo, imaginando que talvez você esteja em frente a porta da minha casa, com um buquê de flores nas mãos. Mas você não está. Então começo a me perguntar se falei algo que não devia ontem à tarde, só porque já é quinta-feira e faz dois dias que não nos falamos.

Imagino mil e uma besteiras porque à essa altura não me sinto tão segura quanto deveria em relação a você. Olho o celular de dez em dez minutos, pensando que talvez tenha deixado passar alguma mensagem, alguma ligação. Abro meu notebook e checo se há algum e-mail na minha caixa de entrada, mas a gente se falou apenas duas vezes por ele, quando viajei no fim do ano passado. Não há nenhuma notificação no Facebook nem mensagem no chat. Paro e desligo todos os aparelhos eletrônicos. Isso não é normal.

Você atrasa alguns minutos, mas já é suficiente para eu começar a achar que não vem. É hoje que eu recebo o meu primeiro bolo. Penso em levantar da mesa do restaurante e atravessar correndo aquela porta de vidro que até agora não o vi atravessar. Vinte minutos são aceitáveis, penso, e me acalmo. Mais dez minutos e a atenção se volta para a minha roupa. Poderia ter escolhido alguma coisa melhor do que calça jeans com salto e blusa de cetim branca, mas foi essa combinação que aprovei no meu reflexo no espelho antes de sair. Algumas pessoas começam a se levantar e olham para a minha mesa com ar de piedade. Desvio o olhar. Trinta minutos e ainda estou aqui. Isso não é normal.

Prometo que se você não atravessar por aquela porta no próximo minuto, não quero te ver nunca mais. Mas não é necessário. Quem eu tanto esperava, chegou e agora ocupa o seu devido lugar, em frente à mim. Pedindo desculpas, sem jeito e um pouco suado, mas ainda lindo. As borboletas voltaram e fazem a festa no jardim do meu estômago. As neuras não fazem mais sentido nenhum, minha insegurança parece coisa de criança e agora o que me preocupa é a falta de ar que sinto quando você me olha. É tudo normal. É puro amor.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Uma mulher ao lado





Dia Internacional da Mulher. Hoje é dia da mulher, ontem foi dia da mulher e amanhã será também. Sem marcação em calendário, sem propaganda na televisão, sem mensagens compartilhadas pela internet para que se lembre. Você vai lembrar, porque todo mundo precisa de uma mulher ao lado. Ao lado, essa deve ser a localização espacial dela. Geograficamente tenha-a ao lado - ela pode ser a sua melhor companhia -, mas no que remete ao campo intelectual, profissional, amoroso e das outras formas de relacionamento também. Ao lado, porque deixá-la em uma posição inferior é desvantagem e burrice. É, tremenda burrice. Ora, se temos como igual objetivo lutar, mesmo que por diferentes causas, e vencer, porque não unir mentes, braços e vozes para isso?

Não precisa de remédios para dor de cabeça, dor no corpo ou qualquer outro tipo. Ela vai te mostrar de que forma as coisas poderão ser resolvidas com estratégias tão eficientes que sequer poderia ter imaginado existir antes. A cabeça para de latejar no mesmo instante, não só porque uma solução foi apresentada, mas porque ela é a solução. Não restará pontos de interrogação sobre o que virá adiante, as coisas vão ocorrer bem porque, você sabe, ela é a melhor sócia que alguém pode ter na vida. Sim, bons aumentos, igualdade de salários para com os homens, cargos mais altos, respeito dentro de casa, na rua e nos relacionamentos, disso jamais se abrirá mão. Guerreira, ela sabe, todo mundo precisa de uma mulher ao lado.

Não importa se ela é sua mãe, irmã, avó,esposa, filha madrinha, madrasta, tia ou sobrinha, muito menos se você pertence ao sexo masculino ou feminino, é a seu lado que deverá caminhar. É com orgulho que vai olhar à sua direita ou esquerda, para a figura que atua como um tônico nos dias de cada um dos corpos erguidos sobre a Terra. Abram alas, abram as portas para que possamos entrar. Abram os braços para nos receber, em qualquer ambiente, com o respeito e a admiração merecida. Criem oportunidades, nos infiltraremos no infiltrável, ergueremos as mangas porque criamos nossos músculos também. Mulher de verdade, todos precisam de uma ao lado.

Vermelho. O sinal está fechado para os ignorantes e machistas. Pode passar todos aqueles que sabem o valor de uma mulher e todas as mulheres que sabem o seu valor. A pista está liberada.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Um imigrante ilegal






Adeus, foi o que você me disse. Adeus, porque iria viajar para outro país e talvez até, outro mundo. Em razão da alegação do último destino, me perguntei o que você queria dizer e se realmente disse o que achei que significava. Era só uma metáfora. Não era? As malas, nunca te vi arrastando-as para fora de casa e depois carregá-las para dentro do táxi que te esperaria com destino ao aeroporto. Não, você não viajou, continua nessa mesma cidade, nesse mesmo lugar, desde 2009. Eu também não viajei, balbucio, mesmo sabendo que não se importa. Da janela da sala de estar, observo a porta da sua casa, porque se um dia resolver ir embora, espero que olhe através dela e me dirija um adeus.

Dizem que está feliz. Mas quem disse que perguntei alguma coisa? Dizem que está com outra e eu quis saber mais. Já não frequenta os lugares que costumava nem mesmo continuou com as antigas amizades. Soube que deixou a barba crescer e lembro como antes não passava uma semana sem fazê-la. O curso de Direito, largou no quarto semestre e está no último semestre de alguma dessas Engenharias. Só que você nunca gostou de exatas, foi a primeira coisa que te perguntei na aula de matemática do terceiro ano. Agora é justamente o oposto. Por que razão?

Nossas mães ainda continuam se encontrando em reuniões e jantares. Para elas, as coisas continuam as mesmas. Toda vez que encontro alguém trazendo uma novidade sua, pergunto-me de onde conheço o homem sobre quem falam. Não pode ser você, não é aquele com quem compartilhei sonhos e segredos cinco anos atrás, mas também não era aquele que eu costumava ter longe de mim e olha só como estamos agora. Mesmo quando te vi na fila do supermercado olhando para o relógio e preocupado em não se atrasar, com apenas duas pessoas entre nós, jamais senti uma distância tão grande. Torci para que continuasse olhando pra frente, sem se mexer. Perceber que isso seria mais fácil do que eu imaginava fez um nó se formar em minha garganta.

Agora entendo o que quis dizer sobre se mudar para outro país. Somos como estrangeiros no território um do outro. Não entendo mais a sua língua, seus costumes mudaram, sua cultura não é mais aquela que estudei por tanto tempo. Seu passaporte na minha vida era falso, um imigrante ilegal, mas eu te deixei viver uma aventura no Novo Mundo. Até que ele se desfez. Foi aí que eu aprendi, as pessoas vão embora a qualquer momento, quando desejarem e isso nem sempre significa que dirão adeus. Nem adianta esperar na janela.


sexta-feira, 1 de março de 2013

Um a zero para o Amor




Amor é sentimento universal, é ato inato. É como o ar que está em tudo e onde ele não existe só há espaço vazio. A gravidade ao redor faz-se quase zero e, bom, é claro que a segunda lei de Newton explica porque quanto mais se ama alguém, mais queremos estar junto, mais o nosso corpo se inclina para os braços dessa pessoa. O amor está em vários endereços diferentes e ainda assim locam ao mesmo tempo o nosso coração. Acontece que uma hora alguém acaba dando muito de si e recebendo quase nada em troca e é aí que as coisas podem começar a mudar. Ele faz meia volta, recua por razões não tão desconhecidas assim e quem chegar depois dela, só vai encontrar um pobre desacreditado, que não reage por achar que já apanhou demais. É medo do que não se conhece, medo do que pode vir a sentir. Mas o  medo nunca foi o protagonista de grandes histórias e o amor só precisa de alguém que acredite nele de novo. E de novo. E de novo.

Surgiu alguém, sabe-se lá de onde, e bem que você gostaria de perguntar o nome, a idade, do que mais gosta de fazer e se topa sair qualquer dia desses. Não, não! Que ideia sem noção é essa? Vamos cara, vê se aprende! Mesmo perto, fique longe, o mais longe possível, cruze os braços, esteja sempre na defensiva. Apenas curta o momento e faça dele um momento curto, nada de prolongamentos, senão, a paixão chega e...aff, preciso nem dizer o que acontece depois. Vai ficar lá largadão no sofá ou na cama do quarto com o controle da televisão nas mãos passando de canal até parar em alguma comédia romântica. Tem noção da gravidade disso? Seus amigos te chamaram pra jogar futebol, como fazem pelo menos uma vez na semana desde sempre, mas só o que você disse foi um "deixa pra próxima". Não me diga que é por causa daquela garota! Cara, cuidado. Conselho de amigo, tenha cuidado, você sabe, com essa coisa de...amor. Seja esperto, dê o fora antes que ela o faça, deixe que ela seja a primeira a se apaixonar, faça sempre as coisas depois (bem depois). Sabe, procure estar em vantagem.

Desvantagem, você quer dizer. Vantagem em deixar alguém amando sozinho é o que alguns medrosos saem dizendo por aí. Pense bem, bater de frente com um sentimento tão delicioso como esse não pode ser tão ruim assim, vai. Não pode ser nada ruim. Fugir do amor é puro desespero. A vida segue, depois do um vem o dois e é preciso escrever o próximo capítulo. Dizer que não quer se machucar de novo, é a pior das desculpas. É saber que pode dar certo e ainda assim preferir ficar em uma zona falsa de conforto. Ou ser covarde demais pra viver o que se deseja de verdade. Colocam a culpa no amor quando quem os fez sentir mal, foi em quem depositaram seu amor, mas, por alguma razão, acabou não repondo-o. Só que as coisas só se repetem se você permitir. O amor é uma troca, não vale ser egoísta. Nem consigo nem com alguém que espera só um pouco do que você tem aí, dentro do coração, pra se sentir mais vivo - e te fazer sentir mais vivo também. Pra quê ter medo? Feche e abra os olhos, mas continue confiando, permita-o te guiar. Um dia você ainda vai entender como mesmo o mundo sendo tão grande, a gente sempre sabe onde pode encontrar um porto seguro.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Resposta pra tudo




Disse pra mim que sente saudades e apenas isso bastaria. Não precisava falar mais nada para me fazer acreditar que ainda há um pouco de mim em você. Alguma marca ou algum pensamento. Se eu me lembro bem (e eu lembro), você nunca foi um homem de poucas palavras nem eu alguém que gostasse de ouvir pouco. Esse sempre foi o meu maior ponto fraco. Você já me pôs na corda bamba antes e, talvez por força de um hábito que eu pensei ter substituído pelo de acreditar em você, questiono se é mesmo verdade o que diz. Não há nenhuma plateia, não há olhos curiosos esperando pela próxima encenação, mas você sabe que eu nunca fui muito boa em separar o que é real do que era apenas fantasia da minha cabeça.

Podia ficar sentada de frente pra você durante horas sem pronunciar uma só palavra. Tentei, mas não consegui distinguir muito bem se, no final, era eu quem lia seus pensamentos ou você, os meus. Era o primeiro a quebrar o silêncio e deixei que fosse o último a falar também, mas isso nunca me trouxe certezas sobre o que estava conhecendo. Agora vejo que você decidia o rumo das conversas, como se elas já tivessem sido passadas e repassadas na sua mente pra conseguir tirar as informações que poderiam servir a um próximo passo. O que eu pensava ser confundia-se com o que eu não imaginava que era e me pego até hoje tentando entender o que foi. Me ter pra sempre era o seu próximo objetivo.

Aqui estamos, frente a frente e você, assim tão calado, parece meio confuso, parece desarmado. As coisas talvez tenham tomado outro rumo, diferente daquele que imaginara e eu não posso ajudar porque nunca soube o que realmente queria. Poupando palavras e contendo gestos, é assim que seguimos o nosso rápido reencontro. Mal sei o que dizer, nunca soube direito. Na verdade, torci para que você estivesse no comando da nossa conversa, me guiando, como costumava ser. Parece que chegou a minha vez e nem sei por onde começar. Um "oi" ou "tudo bem"  talvez, mas e depois? Tinha que chegar em algum lugar e chegar até seus olhos seria o suficiente se você não os mantivesse desviados de mim.

- Desculpa, tenho que ir embora.

Foi o que você disse. Eu quase o deixei ir sem dizer nenhuma palavra e teria sido melhor do que consentir dizendo "até mais", como nas vezes anteriores. Você acenou um provável adeus hesitante ao olhar pra trás, esperando mais de mim. Acho que todo o problema foi em eu nunca ter segurado firme suas mãos e tê-lo deixado ir quando vi que era isso que faria. Não se tratava de ir embora ou ficar, se tratava de ter razões para repensar, coisa que nunca te dei. Estive muito ocupada tentando entender tudo que acontecia, quando só o que precisava era viver tudo o que entendia e sentia entre nós dois.

Alguma coisa começa a se mexer aqui dentro. Espero que não seja nada que possa criar asas e voar, não sou mais forte o suficiente para me manter longe do chão. Quero ter poder sobre o que cresce dentro mim e não faz sentido esse sentimento crescer, assim, agora. Só que não quero ter certezas quando se trata de você. Elas sempre me levaram para os caminhos errados, aqueles que me mantinham distantes, por achar que nunca poderia estar enganada ou errada sobre o que costumava acreditar. Quando eu gostava, você gostava também; quando eu sorria, éramos nós dois sorrindo juntos e quando você foi embora, só uma asa ficou. Como, me diz, como vou voar, se a outra asa quem me dava era você? Volta aqui e me responde. Por favor, volta e responde, estou pedindo. Eu sei, logo eu que pouco falava, mas tinha sempre alguma resposta pra tudo.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Conversando com a lua



Chegou a sua vez. Você sobe, vagarosamente. Sem pressa , de cima avista o corre corre e a tranquilidade paradoxais da cidade. Pessoas chegando em casa, carros barulhentos pelas ruas, um vai e vem de gente e máquina. Mas você continua subindo.

Pela janela aberta avista uma garota dançando freneticamente em seu quarto. O telefone toca, o coração vibra e ela põe a mão no peito como se dessa forma pudesse acalmá-lo. Mas quem pode controlar o seu próprio coração? A luz está acesa no andar de baixo, há um homem ajoelhado em frente ao sofá. Ele passa as mãos pelos cabelos, preocupado, depois une as duas em forma de oração e chora. Em uma outra rua, um jovem rapaz acaba de chegar do trabalho. A esposa e sua filha de três meses lhe recebem com beijos.  Na casa ao lado uma garota despede-se da mãe e dos irmãos mais novos e segue para a faculdade. Não há pai, mas eles são uma família. Em algum outra ao sul, ouvem-se gritos. Um pai bêbado e discussões dentro de casa. A mãe vai embora com os filhos, deixando todo resto para trás. Por todos os cantos testemunha casais se amando.

Continue subindo, flutuante e redonda, como um balão de luz cheio de vagalumes ao redor no céu escuro. Eu sei, você conhece todas essas histórias. Assiste a dor e alegria contida em cada uma delas. Eu sei, pois há momentos m que você também não está iluminada por completo. Alguns, aguardam ansiosamente a sua chegada. Outros, olham para o céu surpresos, atraídos de alguma forma pela sua energia seja na varanda, na rua ou pela janela de casa. Há os que dormem tranquilos agora, enquanto você sobe para atravessar em forma de parábola o céu. Mas nem todas as luzes estão apagadas e esses que não dormem, ainda conversam com você que, só pelo olhar, compreendeu o que sentiam por dentro.

Quantos se amam, enquanto você está no céu? Quantas promessas são quebradas? Amores surgem ao seu luar. Pessoas despedem-se, seguem novos rumos, trilham seus caminhos, assim como você faz no céu. Mães dormem em colchões duros preocupadas em como dirão aos seus filhos, no dia seguinte, que a comida está pouco ou não há nada para comer. Pais dormem durante apenas algumas horas e acordam cedo para conseguir colocar algo á mesa no fim do dia. Eles dizem aos seus filhos que lutem e estudem muito para não passarem pela mesma dificuldade que eles. Para serem melhores. Apaixonados voltam para casa, sorridentes depois de um encontro. Outros,choram com o coração partido. Lá em cima está você, vendo todos eles.

Paro na escada de casa por longos minutos, observando-a, linda e grande, tão distante, mas parecendo tão próxima a mim no céu estrelado. Como uma criança que pede colo aos pais, eu levanto meus braços em sua direção, tentando alcançá-la. Te dei um sorriso. Foi em você que pensei quando noite chegou, foi a você que contei o que sentia dentro do coração. Você me entende, não é? Eu gosto da sua companhia. Ah, Lua, acho que estou apaixonada por você.



Pessoal, obrigada por todas as visitas e comentários no tempo em que estive offline. Queria pedir desculpas por demorar a postar novamente, mas minha internet estava há vários dias sem pegar, então fiquei impossibilitada de fazer as postagens = /  Mas o importante é que já voltei \O/

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

É só mais um cara




É só um cara. É só mais um cara. Repito a mim mesma, como todas as garotas costumam fazer, com a certeza de que vou rir ao lembrar que deixei minhas lágrimas rolarem por alguma razão relacionada aquele panaca. Mas eu pego o celular e releio o tempo todo as mensagens que ele costumava me mandar, tentando experimentar de novo a mesma sensação que tive ao recebê-las, há quase dois meses atrás. Ainda lembro do que eu estava fazendo ao ouvir o bip de cada uma delas chegando, de como tentei controlar a ansiedade em lê-las imediatamente, mesmo sabendo que o problema estava em querer levar o celular comigo para todos os cômodos da casa, ao invés de largá-lo em qualquer canto. Quase posso ouvir o bip novamente e fazendo tudo ao redor parecer tremer com a vibração do celular.

Só que, sinto lhe dizer, você levou vantagem devido a minha carência. Eu estava mesmo carente. Tá, não foi nada disso. Por que você tinha que ser tão fofo, tão legal, tão gentil, se vestir tão bem e, como se ao bastasse, ter um sorriso de canto de boca tão sedutor? Não era pra você ter me ligado depois do primeiro encontro (no dia seguinte!) nem ter me mandado uma sms assim que cheguei em casa dizendo o quanto a noite foi boa, especialmente pela vista da cadeira em frente a sua. Uma sms, como se tivesse notado a dúvida que eu nutria de se depois que me deixasse em casa, você lembraria meu nome ao chegar a sua.

Eu não te disse, mas a camisa polo branca com detalhes em azul marinho, a calça jeans e os tênis também brancos, que você usou na primeira vez em que saímos, deixou-o ainda mais charmoso. Ponto. Eu tenho queda por homens de camisa polo. E branca. E de sorriso bonito. Cheiroso. Cabelo curto. Por você. Estremeci quando pôs as mãos em minha cintura e tive medo, me senti como uma adolescente que vai beijar um garoto pela primeira vez. Adolescente eu ainda sou, mas você era pra ser só mais um cara (de poucos) que eu saí. Não precisava ter usado tantas palavras bonitas. Palavras ficam para sempre e não era essa a sua intenção. É, eu não tive uma queda por você. Saltei de bungee jump. E foi emocionante, se você quer saber. Só que eu não estava com todos os equipamentos de segurança necessários. Legal, a sequência você já sabe. Mas deixa eu te contar uma coisa: a vista foi maravilhosa. Caí em um rio, mergulhei, nadei, boiei. Não bati a cabeça nem quebrei nada.

Enquanto você olhava de cima, eu me divertia. Então obrigada, sabe? Eu vou fazer uma limpeza aqui hoje, apagar suas mensagens no celular, no bate-papo do Facebook e todos os diálogos que inventei em minha mente esperando por uma continuação. Nossa continuação. E eu vou saltar de bungee jump de novo. Vou conhecer alguém legal e ele pode até usar uma regata no primeiro encontro que eu não ligo. Se vestir o sorriso dos meus sonhos e aceitar saltar de mãos dadas comigo, tô dentro.

                                                                                                                 

A gente ainda vai se encontrar por aí




É tarde quente de Outubro e eu sei que ainda vou te encontrar por aí, quando as aulas terminarem. Um pouco menos de dois meses e a escola não estará mais em nossos roteiros. Não nos veremos mais com aquela farda branca e azul entrando na sala ás sete horas da manhã de segunda á sexta. Mas eu gostava de como ela caia bem em você. Gostava do jeito que me olhava indagando como eu poderia ficar cada dia mais bonita vestindo elas.

Como se a saudade estivesse lhe dando um conselho antes de apoderar-se do seu coração, eu recebo aquele que seria o mais forte, longo e doce abraço que me lembro de termos dado. Suas mãos passeiam pelas minhas costas e eu sinto sua respiração em minha nuca enquanto busca guardar o cheio do meu perfume e dos meus cabelos. Eu também sinto o seu cheiro, tenho guardado em minha memória há muito tempo. Só o que desejo agora é aproveitar o melhor que posso de tudo que se desencadeia no fato de ter seu corpo colado ao meu. E, como se quisesse se desculpar de qualquer mau que pudesse ter me feito, olha firmemente em meus olhos com as mãos segurando meu cabelo e a testa colada na minha. Tudo bem, não foi nada.

Eu sei que ainda vamos nos encontrar por aí, os olhares se cruzando e se encontrando cheios de entusiasmo. Daqui há alguns anos, talvez, quando eu já estiver na faculdade, mais mulher e sem ter perdido aquele jeito de menina que tanto gostava. Ou daqui há alguns anos, com a saudade arrombando a porta, quando você me enviar algumas mensagens com medo de ligar e, sem receber retorno, descobrir que meu número mudou. Mas você vai tentar me conquistar de novo, só para me ver corando em sua frente como antes e arrancar sorrisos com palavras sussurradas que tinha consciência do efeito inebriante que causavam aos meus sentidos.

Você vai lembrar de mim em meio a dezenas de garotas histéricas tentando, a todo custo, conseguir um pouco da sua atenção e como eu te trazia tranquilidade e paz. Em uma tarde fria de abril, as memórias daquela quarta-feira chuvosa em que fomos assistir um filme no sofá de sua casa, irão te visitar. Lembra? Fui até a cozinha como se já tivesse conhecido sua casa antes, preparei bolo e chocolate quente para nós dois. Me aconcheguei em seus braços como se fosse o melhor travesseiro do mundo. Nos beijamos entre conversas e brincadeiras, esquecendo onde estávamos e deixando o filme rolar. Deixando as coisas rolarem.

Foi inútil, não foi? Quero dizer, tentar não se apaixonar. Fugir. Evitar. Mas eu já disse que tudo bem. A gente, com certeza, vai se encontrar de novo. Por aí, em uma tarde fria enquanto esperamos a chuva passar em alguma lojinha de conveniência. Encontraremos tempo para conversar, relembrar os tempos bons de escola. Vou te convidar para tomar chocolate quente em minha casa. Dessa vez, você prepara.


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O poder de uma conversa


   O dia tinha começado bem. Estava indo bem. Eu estava bem e tudo bem. Mas como se não fosse possível, o dia terminou mal, resumindo-se apenas ao instante que aquelas palavras me atingiram e o sorriso carregado no rosto, a paz em que meu coração repousava, foram sufocadas e reprimidas.
   Uma conversa tem o poder de mudar o nosso dia. É maravilhoso quando ela muda para melhor, e isso sentimos com mais frequência que o oposto, mas quando ele acontece dói mais do que jamais poderíamos ter previsto.
   Discutir com quem amamos é doloroso demais, as palavras  parecem lâminas que nos deixam aos pedaços e sem serem medidas, jorram antes mesmo de um pensamento mais claro sobre o que está sendo dito e o que não queríamos dizer, ser formado. E palavras que você não imaginava ouvir, atingem com velocidade o seu humor e o dia acaba ali. Naquele instante. Pena que as horas não correram também nessa velocidade fazendo o amanhã parecer anos distante.
  Na maioria que temos uma conversa ruim com alguém, acabamos indo cedo para a cama. Lá o peso fica um pouco mais leve e fechamos os olhos, repassando o que foi dito e feito, tentando entender e enxergar o outro lado da forma que não foi possível fazer antes. Nos sentimos melhor e embalados pela certeza de que no amanhã próximo, teremos a oportunidade de fazer as coisas diferentes.
  Canso de ver pessoas o tempo todo tentando ferir as outras com palavras, muitas carregadas de preconceito, pelo simples prazer de estar fazendo o outro sentir-se mal. Há momentos que não consigo me conter, sinto uma onda de angústia me invadindo e não consigo assistir a tudo calada. Mesmo que essas palavras não tenham sido direcionadas a mim, sinto a dor causada, ainda que não seja a mesma, no coração da pessoa que foi atingida.
   As palavras tem uma força tão grande que para onde quer que sejam direcionadas, devemos ter a certeza de que voltarão. Talvez não com a mesma velocidade, mas com o mesmo poder. Precisamos pensar bem em qual direção estamos lançando-as e qual é o alvo que realmente queremos acertar. Ás vezes, pode acabar ferindo um coração. Você pode se desculpar depois, mas como o prego que é batido na madeira e depois retirado, ficará uma marca para sempre.



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